sábado, 19 de novembro de 2011

A vontade de ser feita de madeira e alpaca - metal branco

dessas ligas lindas de níquel, cobre e zinco, qual prata!

toda harmônica e vestindo na pele botões de galatita

para que timbres abissais soltassem da minha pele, poro, sais

uma milonga soturna e carmesim. vontade de ser

coberta de marroquim, papelão e dedos que toquem 142 tons

em mim, fosse eu um bandoneón.



(Cecília Donateli)

domingo, 23 de outubro de 2011

A árvore

Árvore solitária no meio do pátio
Prisão de concreto é teu triste estado
Senão o vento quem refresca tua copa?
E senão a chuva quem é que te molha?
Quando o outono, quem te vê enquanto desfolhas?
E quem recolhe tuas folhas?
Árvore solitária, cela de arames,
O homem come de teus frutos
E descansa em tua sombra.
O poeta descreve teu lamento
Em tuas irmãs mortas.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

TODO VAZIO CONTÉM UM CONJUNTO

Vazio? O que é se sentir vazio numa noite de sexta-feira
Em um quarto quase vazio onde nada se vê?

Seria um sinônimo para angustia ou será que é depressão?
Talvez seja saudade de quando não sentia saudade.
Verdade, talvez. Época em que,
Existia o desejo de que o tempo corresse.

Será que o vazio não lhe faz torcer
Para que o tempo passe logo?
Essa ânsia pelo girar mais rápido do ponteiro tenha,
Quem sabe, motivos diferentes de outra - hora.

Pode ser desejo em ir? Ou melhor pensado,
Não é falta de algo? Mas, algo? Como? Será?
Música, pessoa, carinho, cama,
Aconchego, sono, café da manhã, família.

Existem tantas coisas que fariam sentido nesse vazio.
Realmente, vazio nesse sentido faria com que tantas coisas existissem,
Assim como, enxergar coisas até mesmo num quarto
Quase vazio onde o nada se vê.

Tiago Mendonça da Costa (Grafunjo)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

"Moro com loucos e gênios
Durmo com desejos e acordo com idéias
Penso palavra e vejo poesia
me inspira o encontro da nossa coletividade
E com eles divido meus sonhos
seres que se não existissem os inventaria.”

[Lídia; lidiadamasceno1@gmail.com; Coletivo Difusão; Manaus – AM]

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Parto 
(...)
É a renovação que se concretiza no findo
Ciclo!
De um tanto quadrado
Reflexivo confuso, e.
Exaustivos desejos
e fruição de querência...

E produção pequena,

Mas depois que se mortifica em não escrever
Renasce para inspirar
a desvairada

... de platônicas à platônicas
As realizáveis paixões
se degradam com o medo.
De ser eterno
de nada durar
Além da náusea e do frívolo amor.

Sagrado sexo.
Profano amor.



 (Glória Haydée)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Estrela

Carissimos e carissimas, vocês algum dia antes do sono ja se pegaram debruçados na janela do quarto a observar as estrelas?!
Pois bem ai vai uma poesia inspirada nesse gesto.

ESTRELA


Estrela, estrela guia
Existe um futuro mais incerto do que o meu?
Os teus brilhos me fascinam
Despertam a minha imaginação
Fazem de mim um pequeno ponto em sua constelação
E pensar que estamos separados
De alguma forma me sinto do teu lado
Oh magnífica estrela distante!
Fico a te admirar
Do teu lado quero estar

Tão perto
Tão longe
Tão linda
Tão mágica
Estrela, estrela guia

Guilherme Antônio R. Santos

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

TransversARTE: Domingo de Artes Integradas

Música, dança, artes visuais, enfim, são diversas as atrações que o Coletivo 103, em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Viçosa, irá oferecer à comunidade viçosense no próximo dia 18. O Centro de Vivência e o Espaço Fernando Sabino, na UFV, serão palco do primeiro Transversarte: Domingo de Artes Integradas, um evento que busca proporcionar ao público acesso a diversas formas de artes em um só local.

Atrações:

4 Instrumental: banda instrumental de Sabará, com influências que vão da música brasileira ao rock inglês contemporâneo. Ganhando destaque no circuito nacional, já se apresentaram no Virada Cultural de São Paulo e em festivais como Jambolada, Transborda e Calango.

Autopsiar-me, solo de dança contemporânea com Paulo Cézar da Silva. Uma performance que reúne o ato de criar e improvisar em cena com diferentes linguagens artísticas.

Fotografias:

Luísa Bertrami D’Angelo: Natural do Rio de Janeiro (RJ), Luísa D’Angelo enxerga a fotografia como arte não por causa de suas técnicas, mas sim pela capacidade de retratar a essência humana.

Bianca Isabel de Sá: De Belo Horizonte (MG), Bianca Isabel de Sá é jornalista e fotógrafa. Do jornalismo não gosta tanto. Adora mesmo poesia e fotografia.

Coletivo Fora das Bordas: De Belo Horizonte (MG), o Fora das Bordas é um coletivo de artes visuais que, atualmente, tem a fotografia como sua principal forma de expressão. Foi criado a partir de uma provocação feita pelo Coletivo Pegada (BH).

Sans Nom: Acervo da revista eletrônica binacional Sans Nom: sem nome em tupiniquim machadiano, sans nom em francês esnobe, s/n em dialeto universal.

Ilustrações:

Thales Gaspari: Boêmio nascido em São João da Boa Vista (SP), artista plástico jubilado, poeta de fim de semana, cartunista rotineiro (o melhor da família), atingiu a iluminação espiritual após exílio de uma semana mendigando em uma cidadezinha do interior de Minas.

Tom Amaral: Natural de São Paulo (SP), mais velho do que 20 e mais novo do que 25 anos, é formado em Comunicação Visual pela ETEC José Rocha Mendes. Atualmente é estudante de Publicidade e Propaganda.

E mais, #VaraldaArte com poemas do Fora do Eixo Letras e curta-metragens e videoperformance do Coletivo Kinoia.

Lembre-se, dia 18 de setembro, a partir das 19 horas, no Espaço Fernando Sabino, no Centro de Vivência da Universidade Federal de Viçosa. Os ingressos a R$10 estarão disponíveis a partir do dia 13 de setembro na DAC (Casa 3 da Vila Giannetti) e com divulgadores no barzinho do DCE.  Caso não se esgotem, também na Portaria do evento!

Participe!


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Normal é a pessoa anormal?

Todos os dias...
Vejo pessoas reclamarem e criticarem tudo ao seu redor,
Vejo seres manipulados pelo sistema,
Vejo a infelicidade nos olhos alheios,
Vejo uma sociedade preconceituosa de paradigmas que precisam ser mudados,
Vejo uma sociedade imatura para enfrentar os problemas sociais,
Vejo um mundo que para ser NORMAL tem que seguir os padrões sociais.
Que sociedade é essa?
Que pessoas são essas?
Que sistema é esse?
Vejo um mundo engessado, preso e alienado,
Entretanto,
Vejo seres que lutam contra o sistema,
Que fazem da sua vida algo imprevisível,
Que faz cada dia ser um novo mundo,
Que fazem do seu novo mundo um lugar alcançado por poucos.
Vejo que estes indivíduos são criticados pela sociedade e pelo sistema,
Vejo que estas pessoas são vítimas de preconceitos de paradigmas mal formulados,
Vejo que a sociedade mecanizada os chama de anormais.
São estas as pessoas anormais?
Ou
A sociedade manipulada que é normal?

(Denilton da Silva Oliveira)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Clube de Leitores Coletivo 103

Segunda edição do OrFEL já está disponível

A segunda edição do fanzine OrFEL, da Fora do Eixo Letras, já está disponível para download e também para leitura virtual. Crônicas e contos de 11 autores de diferentes regiões do País compõem a coletânea, selecionada por uma curadoria com integrantes da FEL de vários estados brasileiros. O processo de criação (ilustração e diagramação) foi totalmente colaborativo, contando com o apoio do Núcleo de Poéticas Visuais do FdE. Para saber mais, acesse: http://foradoeixo.org.br/fel/blog/orfel-01-ja-esta-disponivel

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Regência

Há na beira na noite um homem a se balançar,
como que a beber caliências do beiço de uma mulata.
Há nas ruas, entre vômitos e ratos, ratos mais baixos que os que os são.
Há o caos, a cidade, mas não hão, apenas há.
Há as putas, os padres, há os ônibus e hemos nós,
não, não hemos, apenas há.
Há as danças e as farsas,
as bebidas e os brindes.
Há as crianças e os cachorros,
em pé de igualdade.
Mas não haveis, somente há.
Há somente.
Isso basta para que durmamos
e sonhemos,
enquanto lá fora há,
há um mundo que não haverá.

Mike Rodrigues

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

É Hora

Bem caríssimos, para tudo temos hora, hora se não agora. Pois bem é hora. 


É hora de partir
Mas acabo de chegar
É hora de dormir
Mas acabo de acordar
É hora de lembrar
Mas acabo de esquecer
É hora de brincar
Mas acabo de crescer
É hora de namorar
Mas acabo de terminar
É hora de trabalhar
Mas acabo de me formar
É hora de me encontrar
Mas acabo de me perder
É hora de me silenciar
Mas acabo de falar

É hora, é hora, é hora
Chega! Não é hora, não há hora!

(Guilherme Antônio R. Santos)

sábado, 23 de julho de 2011

Me faz bem

Me faz bem
O infinito do seu olhar,
Respirar seu cheiro no ar
E sua energia complementar.

Me faz bem
Navegar no seu oceano,
Fazer parte do seu plano
E calar com seu beijo sobre-humano.

Me faz bem
Esquecer de tudo,
Mergulhar no seu mundo
E tudo isso em apenas um segundo.

Me faz bem
Viver com sua energia multicolor,
Transformando a dor em amor
E viver no perfume da flor.

(Ygor Sas)

sábado, 9 de julho de 2011

Ocupado

E as ocupações...
ocupando o lugar dos sentimentos
Dividindo a grandeza da vida
em pequenos e passageiros momentos
(Isloanne Araujo)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Mudando um pouco a linha e diversificando ainda mais as percepções intimistas, para vocês mais algumas palavras em tom bastante fervoroso...


Deus


Sei que onde quer que eu vá estais comigo
Um grande narrador onisciente
És também onipotente
Não me abandonarás, sois onipresente

Alguns preferem não acreditar
Quem sou eu para julgar?
Tenha pena de mim, tenha pena deles
Somos pecadores não sabemos o que fazemos

Digo de antemão sou seu grande admirador
Apenas um garoto sonhador
E como sonho, desejo que onde quer que estivermos
Espero que ao menos um dia nos encontremos.


Guilherme Antônio R. Santos

domingo, 26 de junho de 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

História

Deixe a saudade matar você!
Há morte melhor?
Não reprima as lembranças
dos bons momentos vividos!
Chore como criança,
se preciso for,
somos exímios artistas
na arte de compor
a música da vida.
Cante essa música bem alto
para uma pessoa querida.
Aceite os seus verbos conjugados no passado,
só assim saberá
que criou uma história,
a qual muitas vezes vem forte na memória.
(Isloanne Araujo)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Retrato falado

Um anjo,
Arcanjo protetor da minha vida.
Pureza singela e amor sem igual.
Sorriso envolvente, olhar penetrante,
Fala doce e serena,
E as vezes severa.

Um amor
Incondicional que transcende
O entendimento.
Cheiro atraente,
Tato envolvente,
Que traz a paz ao meu coração.

Tem um coração valente,
forte e frágil ao mesmo tempo.
Que guarda um sentimento
Puro e encantador.
Que me envolve
Em sua energia
Com palavras doces de amor.

Marca eterna.
Tatuagem verdadeira
Que registra em meu coração
O suave veneno e remédio
Contraditório
Que é o mistério da paixão.

(Ygor Sas)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Amigo Estou Aqui

Não pretenda ter muitos amigos e nem pense que você os tem. São eles que tem você. E pense se ele largaria a gostosa do prédio que resolveu chamar ele para entrar no apê ou se ela deixaria de ouvir as imbeclidades clichê que o namorado diz. Cada um tem as suas prioridades, mas não necessariamente significa que eles nunca terão tempo para um pão de queijo e um dedinho de prosa. Aristóteles propôs certa vez que o homem faria de tudo para manter a amizade, pois o amigo é o espelho do homem, e agradá-lo significaria a satisfação pessoal. Ele não viveu o suficente para conhecer a sociedade moderna, que tem dificuldades de relacionamento. Odisseu hoje é um video-game, o monte Olímpio foi dinamitado para passar uma ferrovia e em reinos antigos, reunir exércitos era mais fácil que manter uma banda de rock.

Desisto de ter algum amigo ou amiga do peito pelo simples fato que eu não tenho uma vida igualmente fantástica para dividir. Todos tem maravilhosas histórias para contar ou um namorado dramático para reclamar. Se por um acaso você for um misantrópico não-sentimental por opção, torça para seu amigo ser um poeta simbolista. Pelo menos um amigo simbolista cultuaria o vazio e não se importaria de deitar na grama e contemplar o nada com você. Talvez suas histórias nada excitantes sobre como foi orgasmático assitir um filme cult underground paradoxal de orçamento baixo de um diretor famoso que seus filmes bons não são os mais famosos vão ser igualmente divertidas a ouvir ele dizer como o vento gelado e lua cheia são belos. Talvez um pouco de capuccino para esquentar a noite, um livro despojado sobre coisas que vocês deveriam fazer antes de morrer e um clima simpático para uma discussão interessante sobre como vocês serão bons tios para os filhos uns dos outros.

Você se preucupa com seu mundo restrito, de horizontes monocromáticos e música bossa-nova deprê de acordes diminutos, tentando fingir que não liga, mas, você mesmo assim está desesperado por ouvir sobre a viajem internacional de caráter megalomaníaco da sua amiga. Mesmo que ela não queira saber o show brutal de letras que invocam Satã através de timbres vocálicos guturais furiosos. E se um dia ela resolver te procurar e pedir um abraço apertado, você vai se derreter e impulsivamente dizer que ama ela. Dois dias depois, paralamente você vai pensar em fazer um DDD para dissertar sobre a frase anterior, para que ela brigue com você pela sua incompentência argumentativa, falta de métodos terapêuticos e o vocabulário limitado impedindo que você crie eufemismos para não destruir o pobre coração dela com a ácida realidade.

O seu coração negro, cheio de ódio não vai servir muito mesmo, já que sua amada amiga pensa que você é um imbecil e te trata como o lixo que você é, com direito as honras cívicas, hino nacional ( nacionalismo mesmo não sendo ano de copa do mundo), saraivada de sete tiros , cerveja no seu cabelo. Engraçado que ela misteriosamente não aprecia o malte da cerveja que sobrou sem você por perto. Vocês vivem numa infinita comédia de erros regada a hidromel. A comédia que também é uma tragédia, é engraçada quando seus personagens principais se atiraram do décimo terceiro andar. Se bebê Chorão sonhou com ela a noite inteira e acordou feliz, eu acordei meio true, peguei meu machado viking a arranquei a cabeça dela. Mas toquei os arpejos menores mais lindos e rápidos que conseguir antes disso, gravei-os, mixei, masterizei e uma ótima música de funeral foi tocada.

Ansiosamente espero que ela suma daqui, para que assim quem sabe ela me liga por uns vinte e quatro segundos e conversa no idioma natural dela, e lembra do presente que eu comprei a uns sete meses atrás (e inclusive descobrir que eu já tenho um embrulho novo com algo melhor dentro por que eu quebrei o anterior) e para ouvir que você ainda tem uma florzinha de um papel colorido muito feio que ela te deu no dia que você tentou deixar esse mundo cruel (espiritualmente falando já ela não deve nem ter ideia disso).

Não quero que ela se aproxime demais, sou radioativo e não tenho as minhas camadas de elétrons completas, o que me faz muito instável. Entretanto a convidarei a deitar no chão e passar os nossos elétrons para a Terra, pelo menos assim, levantaremos com uma visão positiva do mundo. Eu e a minha querida amiga vivemos em um combate infinito entre nós mas a amizade é ambivalente tipo doação de rim. Você perde um pouco de você, salva outra pessoa e vocês juntos fazem que os seus mundos sejam lugares vivos e melhores.



(Lucas Poeiras)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Barba, cabelo, bigode
Faz-se uma face no espelho
Coisas de um ser importante
Nada será como antes

Braços, cabeça e pernas
Delimitam a forma do corpo
Partem na corrida do tempo
Tendo como amigo o vento

Mente, pensamentos, idéias
Sobem como um foguete perdido
Viajando num espaço escuro
Isso acontece, eu juro!
(Isloanne Araujo)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Pobre dos Minêro

   Olá senhoras e senhores, saindo um pouco da fantasia, hoje venho a vocês inspirado por esse espírito engajado que impera ultimamente aqui no Percepções Intimistas.
   Lembro-me da vez em que fui a roça na companhia de meu irmão, minha prima e meus avos maternos visitar meus bisavos (o que era bem raro, pois eu adorava ir a roça, mas quase nunca me levavam). E então em uma dessas visitas paramos no caminho e minha avó parou para conversar com um garoto que hoje me foge o nome. Aparentava ter dezessete anos de idade, bem franzino e de aparência defazada por tanto trabalho duro.
   Naquele dia perguntado se tudo ia bem ele expôs sua realidade e eu bem mais novo do que ele, escutei sem dar muita atenção, a não ser pelas lágrimas apresentadas no final pelo garoto... Meu Deus mas como hoje sinto pena e revolta por ele e por todos que estão nessa situação contraditória, essa situação chamada Brasil, essa situação chamada Mundo.
   Muito bem leitores Intimistas ai vai o poema Pobre dos Minêro, em memória daquele dia.




Cinco hora da manhã que nois levantô
Sô João pegô e falô
Anda logo com esse banho sô
a conde luz já aumentô!

Sô João só reclamava
Cumade cedim já limpava a casa
Era cinco minino pá cria
mais eu de quebra pá sustentá

Tenho dó de cumade
Me levô pá cria quando tinha dois ano de idade
Aqui na roça todo mundo levanta é cedo
Perrengue nois passa é o dia interô

Dependemo da chuva pra sobrevivê
Trabaiamo na lavôra pá ganha mixaria
Tem dia que falta ate o de cumê
Parece ate que seu presidente num vê

Nois tinha luz
Tinha Deus
Tinha terreno
Tinha famía

Si tivesse ó meno um arroz
Pá nois pudê cume com feijão
Garanto que nos tava era mio de situação...

{Guilherme Antônio Rosa Santos}

quinta-feira, 19 de maio de 2011

É Desigual...

Desigual

A irresponsabilidade política quer
Dominar o planalto central.
Enganando o pensamento do povo,
Confundindo o bem com o mal.

O que domina é a hipocrisia,
Tratando todos como animais.
Usando a força do motor humano
 E enriquecendo cada dia mais.

Enquanto o povo estiver calado
Desmotivado para qualquer luta,
Tudo permanecerá igual
Nessa desigualdade absoluta.

(Ygor Sas)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Campo de Batalha

Vem o tempo jogando as horas
e alimentando a minha morte
o mais temido passaporte
não é o meu preferido esporte
prefiro a faca que o corte
pois o meu inimigo é muito forte
percorre do hemisfério Sul ao Norte
no mais rápido transporte
e eu não costumo contar com a sorte

Vem a morte jogando o tempo
e alimentando a minha hora
o mais covarde sempre implora
para Deus e Nossa Senhora
mas, se nossa vez for agora
feliz do homem que chora
por um amor que foi embora
e para passa-tempo, um livro de outrora
para lê-lo até a chegada da aurora
(Isloanne Araujo)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Solidão

A estrada estava deserta. Um sol escaldante. Eram três horas da tarde e eu estava longe de qualquer lugar conhecido. Não vi nenhum carro, ônibus, caminhão ou bicicleta passar. Não havia casas ao redor.
            Eu caminhava já há cinco horas, a água já havia acabado faz tempo. Estava com sede. Só podia caminhar com esperança de chegar logo a algum lugar.
            Ainda me pergunto como vim parar aqui. Acordei no meio da estrada sem me lembrar nada da noite anterior. A cabeça doía. E meu corpo parecia moído.
            O entorpecimento era forte por causa do calor e pela dor que minha garganta reverberava para meu cérebro. Pouco a pouco a noite caía e a temperatura amenizava, mas a secura de meu corpo era estonteante.
            A lua parecia desfocada, já não sentia mais o chão, o gosto ferruginoso já não povoava minha boca, o cheiro de terra e poeira havia desaparecido. A única coisa que permanecia igual era o som, já não o ouvia desde a manhã, quando acordei naquela imensidão.
            Eu precisava de água. Precisava bebê-la para poder começar a raciocinar, contudo não consegui me mover e adormeci.

            Os sonhos eram aterrorizantes. Minha mente trabalhava de forma assustadora e desconexa. Turbilhões de imagens eram regurgitados na minha cabeça.
            Repentinamente acordo tossindo ininterruptamente, o meu colchão estava sem lençol, o guarda-roupa estava ao chão, objetos espalhados pelo quarto.
            Levanto da cama, vou a cozinha a tudo está em perfeito estado e em seu devido lugar. A confusão paira em mim. Minha primeira reação é abrir a geladeira, pegar a garrafa d’água e despejar em minha boca. Ouço um urro altíssimo e a dor me derruba.
            Minha garganta está inchada e doendo ao extremo. Pego meu celular e ele não dá sinal. Fui olhar o notebook, estou sem internet. Ligo a TV e nenhuma imagem é formada. Neste momento me dou conta de que a água que bebi estava quente.
            Sentei na poltrona e fiquei absorto por longo tempo sem saber em que pensar. O desespero ia tomando corpo porque eu não entendia nada do que estava acontecendo.
            Tento sair de casa, mas a chave não abre a porta e meu apartamento não possui janelas. Insisto em abrir a porta com a chave e acabo a quebrando. Agora tenho raiva além de desespero. Chuto a porta, grito, esmurro e nenhum som.
            O eco de meus pensamentos é cada vez mais inebriante, a solidão me corrói e o peso da loucura é imenso. O tempo vai passando e ninguém aparece. O conformismo é maior, as pálpebras pesam e ruídos aterrorizantes se iniciam.
(Igor Rios).

segunda-feira, 2 de maio de 2011

=)

   Olá senhoras e senhores a muito que não posto alguma percepção intimista por aqui, a ultima se não me engano fora por volta de duas semanas atrás e de forma bem singela, mas sincera. 
   Pois bem caríssimos e caríssimas brincando um pouco com as palavras e com a mente eu lhes apresento o que denomino:

Metade Tudo e Todo

Parta o todo a metade
E acharás o todo da metade
Una as metades do todo
E encontre sete bilhões de pessoas no todo

Ao todo não somos nem a metade
Que se encontra perdida sobre o todo
O todo sem metade
Perdida... Não é todo

O que fazer com esse todo da metade?
Seria esperar o todo juntar-se a metade?!
Solução esta pautada de duvida, concretizada pela metade

Contudo isso não é tudo, junte-se ao todo
Não se parta pela metade, não espere por tudo. Busque o todo
Pois somos mais do que sete bilhões, somos metade, tudo e todo.

Guilherme Antônio Rosa Santos 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Eterna mudança

O tic tac do relógio é passageiro.
O mundo gira e com ele as estações
Trazem, um dia após o outro, cheiro,
Sabor e um turbilhão de emoções.

Cada passo dado é uma sentença
Que escolhemos.
Cada tic tac uma mudança.
Que aprendemos.

O que já foi um dia,
Hoje não é mais.
O futuro que queria,
É o agora e nada mais.

Eterna mudança
Que me faz companhia,
Sigo com esperança
Nos sopros da noite ou nos raios do dia.
(Ygor Sas)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Hospitalândia

A Terra é um hospital
onde muitos humanos estão doentes
e estes,
necessitam de injeções de amor diariamente
soros de prazer e emoção,
vacinas contra ciúme e falta de educação


E nesta mesma Terra
muitos são os que tem o vírus do preconceito
mas, cada um deles terão o direito
de permanecerem num leito
por tempo indeterminado
e até serem completamente desintoxicados


Mesmo assim neste hospital
muitos óbitos irão acontecer
mas os outros irão permanecer
na esperança de um dia
receberem alta
(Isloanne Araujo)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Comunhão

Decidi devorar-te numa só mordida
E fazer-te morador de minhas entranhas;
Apertar-te tão forte a carne contra o corpo
A ponto de difundir-te pelas veias;
Colocar-te dentro do meu útero e guardar-te
Como semente nunca germinada, mas viva;
Debulhar-te pérola a pérola todas as memórias
E guardá-las em minha matéria cinzenta como minhas;
Derramar-te pleno em minha saliva,
Tornar-te meu sangue, minha seiva, minha vida.

Mike Rodrigues

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Liberta*

O canto de uma criança
é a chave da nossa
liberdade que
se encontra
em uma prisão
que deixamos
trancafiada
quando perdemos
a nossa pureza
de sonhar...mas
quando o anjo
criança canta
ela liberta
os nossos mais puros sonhos
nos deixando livres
e mais crentes
que podemos
tirar o mundo em
que vivemos das
trevas que criamos.

Deirka

*Publicado no Recanto das Letras em 13-04-2011
Código do texto: T2905860

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Origem do universo

Busca de conhecimento
Leitura, mergulhar no desconhecido
Filosofias muitas, grandes loucuras
Proveitosamente endoidecer

Viajando no universo total
Voltando na particularidade do tempo
Descobrir que tempo não existe
Mas viver dominado por ele

Os gregos já pensavam
Os sumérios já calculavam
Os maias já prediziam
O raciocínio chegando a mais questões

Dúvidas Intensas
Certezas nunca advindas
Mais uma torrente, mais uma busca
O ciclo continua sempre no mesmo instante.
(Igor Rios).

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Poesia Reprimida

Conversávamos e dávamos risadas...
Chegaram de sopetão e escopeta na mão
Animais, porcos fardados


Levaram minha dignidade
Levaram minha liberdade...
Levaram meu amigo


Guilherme Antônio R. Santos

sábado, 9 de abril de 2011

Olá, galera!
Por Daniel Bernal
Agora, o Percepções Intimistas faz parte do COLETIVO 103, grupo de difusão cultural formado por estudantes da UFV. Aberto a artistas interessados em divulgar sua arte, suas ações visam à democratização da música, poesia, cinema e demais artes na Cidade de Viçosa. Acesse coletivo103.blogspot.com e participe!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

II Café Literário – parte II
Por Daniel Bernal
A expectativa de mais pessoas no II Café Literário, dos poetas “intimistas”, realizado no Barzinho DCE, coração do Campus da UFV, não era gratuita. Seus membros fizeram um grande esforço de divulgação. Cartazes e conversas no RU foram nossos canais de comunicação. Porém, os ditos universitários cult, os que se dizem freqüentadores da cena cultural viçosense, não compareceram (provavelmente, deveriam estar num rock, “virando a lata”).
O evento, composto de STAND UP Comedy e música ao vivo, de artistas (Tio Flay e Thiago) da histórica São João Del Rey, exposição de poesias, pinturas e desenhos, estes de estudantes (Paulo e Raphaela) do curso de Artes Gráficas e Design da UFJF e da estilista Negassouza, de Barbacena, atrasou para começar. Motivos? Nem Freud explica. Sabemos que, por melhor que seja a organização de um evento, imprevistos podem surgir! Passada meia hora de atraso, nossos poetas deram início ao II Café Literário (o primeiro fora na República Albergue Cultural), com apoio da DAC – Divisão de Assuntos Culturais, da UFV. Ainda assim, com retoques finais da decoração pra serem feitos.
O ambiente, aromatizado por incensos (fragrância chocolate), enfeitiçou o coração dos presentes, provocando risos, encontros inesperados, rodas de conversa e reflexões que somente o Percepções proporciona. Além das atrações mencionadas, os poetas “intimistas” exibiram fotos do I Café Literário, realizado em novembro passado.
Paralelamente, o evento teve cobertura do CINE LUZ, grupo de audiovisual barbacenense. As meninas do curso de Dança da UFV (Gabriela e Estela), também, merecem menção. Seu carisma e espontaneidade deixaram todos à vontade, a ponto dos mais tímidos arriscarem alguns passos – sensacional!
No intervalo das atrações musicais, houve recitais de poesias. Os presentes (alguns de Ouro Preto e Belo Horizonte) podiam declamar poesias do Percepções e de outros poetas. Em seguida, o espaço pra reflexões era livre.
Sim, a bebida oficial do Café foi o café. Não pensem que, contrariando as regras de conduta da UFV, oferecemos bebida alcoólica (vinho, por exemplo). Nada disso! Nossa fonte de inspiração? Adivinhem...
Novos cafés estão por vir. Nossa meta é que eventos como este pipoquem Brasil afora, talvez, mundo afora. Tornaremos o Café Literário uma tradição de longa data. Junte-se a nós!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Entre beijos e abraços

Beije-me do beijo demorado
Mas não venha com língua de outros idiomas
Beba da mesma bebida
Mas não esvazie o copo das alegrias
Feche os olhos
Mas não fique cega para as evidências
Viaje nos pensamentos
Mas não se perca nas ilusões
Abrace-me do abraço apertado
Mas não esmague minhas possibilidades
(Isloanne Araujo)



ps: Ae galera, os poemas serão postados agora de quinta-feira e segunda.

domingo, 3 de abril de 2011

II Café Literário Percepções Intimistas - Agradecimentos

   Um evento simplesmente vitorioso! Magnífico. O que pareciam pessoas sentadas em circulo numa pequena saleta, deu forma a arte!
Poesia, musica, pintura e um bom café a moda mineira fundiram se num só.
  O Percepções Intimistas tem somente a agradecer por este feito ter ocorrido e tudo dado certo como o planejado.
   Agradecemos a presença de todos vocês leitores que puderam estar lá conosco em especial aos artistas de São João Del Rey e Viçosa, são eles, Tio Flay, Tiago, Estela, Gabriela e Mariana. 
E ate mesmo aqueles dos quais não puderam estar em corpo, temos a certeza de que estavam sintonizados na freqüência do café em mente e espírito.
  Aguardem pois logo mais os videos e fotos do café irão aparecer por aqui. E se o primeiro foi bom o segundo foi melhor ainda e o terceiro... Bem o terceiro será melhor, melhor e melhor do que o segundo!

Vamo que vamo! PERCEPÇÕES INTIMISTAS 2011 - Guilherme Antônio, Isloanne Araujo, Igor Rios & Ygor SAS.

quarta-feira, 30 de março de 2011

...Sou todos os meus amigos e Todos os meus Momentos...

Recorte de um espelho

Eu sou saudade,
sou o perfume que fica no ar e as palavras jogadas ao vento.
Sou conversas na noite fria do inverno em um jardim à luz da lua
e um gole de conhaque ao redor de bons amigos.
Sou o adeus e a saudade de quem vai,
sou o abraço e o choro de quem fica.
Eu sou todos os meus amigos,
sou todos os meus momentos.
Sou paixão,
sou amor,
sou vida e renascimento.
Por fim,
eu sou as lembranças, palavras e pensamentos.


(Ygor Sas)

domingo, 27 de março de 2011

II Café Literário Percepções Intimistas



pecepcoesintimistas.blogspot.com tem o orgulho de apresentar a todos dia 02 de abril de 2011 o seu segundo Café Literário. Que se realizará no barzinho do DCE da Universidade Federal de Viçosa a partir das 18:30 horas, horário de Brasilia.
O Café tem por objetivo divulgar trabalho de artistas marginais do cenário brasileiro sendo retratada a pintura, musica e poesia.
Haverá uma seção de debates com os participantes e também um ato de stand up comedy.
Contamos com a presença de todos vocês leitores do blog.
maiores informações: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002258612536

(31) 8572-9514 [ Guilherme]
(31) 9309-6114 [ Igor Rios]

quarta-feira, 16 de março de 2011

Controle

Controlar a vida
Controlar o caos
Controlar a arrumação
Controlar o inevitável

Controle mental
Vidas perdidas
Inferno astral
Controle o controle

Controle é perder
Controle é se desviar
Perder objetivo.

Imagine sem controle
O instinto sendo posto à prova
Sequência de momentos
Relatividade nos pensamentos
Fluência total de raciocínios.
(Igor Rios).